Shore A é a escala que mede a dureza de materiais flexíveis, como borracha e poliuretano. Ela vai de 0, muito macio, a 100, rígido. Em rodízios, 80 Shore A indica uma roda de dureza média-alta: firme o suficiente para suportar carga, com maciez que protege o piso e reduz ruído.
Quem procura esse termo quase sempre está com uma ficha técnica aberta e uma decisão para fechar. O número aparece ali, entre o diâmetro e a capacidade de carga, sem nenhuma explicação do que ele significa na prática.
Ele significa muita coisa… Dureza define quanto a roda protege o piso, quanto ruído produz, quanta carga sustenta e quanto esforço a pessoa faz para empurrar o equipamento.
A escala Shore A em um minuto
A escala Shore mede resistência à penetração, ou seja, o quanto o material cede quando alguém aperta sua superfície. Existem várias escalas Shore, cada uma para uma família de materiais, e a Shore A é a dos elastômeros: borracha, poliuretano, TPR e similares.
Dois extremos ajudam a calibrar a leitura: um elástico de dinheiro fica na casa dos 25 Shore A, e a roda de um skate, bem mais firme, passa dos 95. O rodízio de uso geral vive entre esses dois mundos.
Materiais rígidos como nylon saem da escala A e são medidos em Shore D, outra escala. Por isso, uma roda de nylon raramente traz número Shore A no catálogo.
Como a dureza é medida na prática
A medição usa um durômetro, instrumento com uma ponta padronizada que pressiona a superfície do material com força controlada. Quanto menos a ponta penetra, maior o valor na escala.
Duas observações que evitam confusão ao comparar fichas de fabricantes diferentes: a leitura é feita em ponto e espessura padronizados, e materiais elastoméricos apresentam pequena variação natural entre lotes. Diferença de dois ou três pontos entre duas fichas não descreve produtos distintos.
O que muda entre uma roda de 70 e uma de 95 Shore A
| Faixa Shore A | Comportamento | Proteção do piso | Capacidade de carga | Ruído | Aplicação típica |
| até 70 | muito macia | máxima | menor | mínimo | pisos muito delicados |
| 70 a 85 | macia | alta | moderada | baixo | porcelanato, laminado, vinílico, madeira |
| 85 a 95 | média-alta | boa | alta | médio | uso geral, equilíbrio entre carga e proteção |
| 95 a 100 | rígida | menor | máxima | maior | carga alta, piso industrial resistente |
Lendo a tabela na horizontal, aparece a regra que organiza toda a decisão: as colunas de proteção e de carga andam em direções opostas. Ganhar em uma custa na outra, e a escolha certa é a que equilibra as duas para o caso específico.
Dureza e capacidade de carga: a troca que o catálogo não evidencia
Roda macia deforma na área de contato com o piso. E essa deformação aumenta a superfície de apoio, o que distribui melhor a pressão e protege o revestimento.
A mesma deformação cobra preço: ela consome energia a cada volta, o que se traduz em mais esforço para iniciar e manter o movimento, além de aquecimento em uso contínuo com carga alta.
Roda dura faz o oposto: deforma pouco, rola com menos resistência e sustenta mais peso pela mesma área. Em compensação, transmite ao piso praticamente toda a carga concentrada num ponto pequeno, e transfere ao equipamento cada imperfeição do chão.
Uma leitura prática dessa troca: em piso liso e resistente, com carga alta, a roda dura entrega mais. Em piso delicado e carga moderada, a macia protege o que interessa.
Dureza, proteção do piso e ruído
Ruído em rodízio nasce da interação entre a banda de rodagem e a textura do piso. Material macio absorve parte da vibração antes que ela vire som; material rígido transmite.
A diferença aparece bem em ambiente silencioso. Numa biblioteca, num consultório ou num escritório de planta aberta, a passagem de um carrinho com roda rígida interrompe o que estiver acontecendo ao redor. Com roda macia, o mesmo trajeto passa despercebido.
Sobre o piso, o efeito é cumulativo e demorado. Roda dura em porcelanato polido, vinílico ou laminado marca com o tempo, e o risco cresce quando alguma partícula fica presa na banda de rodagem.
A escolha do material acompanha essa lógica, e o critério completo está em nylon, PU ou borracha: qual material de rodízio escolher.
Material da roda por faixa de dureza
| Material | Faixa típica | Característica | Onde funciona bem |
| Gel | muito macia | máxima proteção, silêncio | home office, piso de alto padrão |
| Poliuretano, PU | macia a média | silencioso, protege o piso | escritório, hospital, varejo |
| TPR | macia | elastômero silencioso | móveis e ambientes internos |
| Borracha | macia a média | aderente, absorve impacto | superfícies irregulares |
| PVC | média-alta a rígida | resistente, bom custo-benefício | industrial, logística |
| Nylon | fora da escala A | rígido, alta capacidade | industrial pesado, piso resistente |
Guia rápido: qual faixa Shore A para cada ambiente
Escritórios, hospitais, indústria e varejo
| Ambiente | Faixa indicada | Por quê |
| Escritório e home office | 70 a 85 | Piso delicado, exigência de silêncio, carga baixa |
| Hospital e clínica | 70 a 85 | Deslocamento contínuo, silêncio e proteção do revestimento |
| Varejo e supermercado | 85 a 95 | Carga variável, piso resistente, trânsito intenso |
| Móveis e mobiliário planejado | 70 a 85 | Proteção do piso residencial acima de tudo |
| Logística e movimentação interna | 85 a 100 | Carga alta e piso preparado para tráfego |
| Indústria pesada | 95 a 100, ou nylon | Peso elevado sobre piso industrial |
Duas ressalvas antes de fechar pela tabela. Piso frio, como porcelanato e cerâmica, pede a faixa mais macia, entre 70 e 85, porque a superfície é dura e marca com facilidade. E piso irregular ou com junta pede atenção ao diâmetro da roda, não só à dureza: roda maior vence obstáculo melhor, qualquer que seja a dureza escolhida.
Onde encontrar a dureza no catálogo Casterine
Na ficha técnica, o valor aparece junto às demais especificações da roda, no formato “90 a 100 Shore A”. A faixa, em vez do número único, corresponde à variação natural do material.
Um exemplo do portfólio: a linha Carbon traz o Carbon Blue com núcleo em PP cinza e banda de rodagem em PVC azul, na faixa de 90 a 100 Shore A, disponível em placa e espiga. É construção de dureza alta, coerente com a aplicação da linha em móveis, bancadas, balcões e carrinhos.
Ao comparar fichas, três campos decidem junto com a dureza: diâmetro da roda, capacidade de carga e tipo de fixação, em placa ou espiga. Dureza isolada não fecha especificação.
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Lendo o catálogo com autonomia
Shore A deixa de ser código quando a lógica por trás fica clara: número baixo protege piso e reduz ruído, número alto sustenta carga e rola com menos esforço, e a faixa correta é a que resolve o problema específico da aplicação.
Com isso, a ficha técnica passa a ser ferramenta de decisão em vez de obstáculo.
Ficou com dúvida na especificação? Fale com o time técnico da Casterine ou consulte as linhas e produtos com a aplicação em mãos.



